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Delação da Odebrecht: Zeca do PT é suspeito de receber vantagem indevida em campanha eleitoral

O deputado federal José Orcírio Miranda dos Santos (PT-MS), o Zeca do PT, é suspeito de receber R$ 400 mil durante campanha ao governo do Mato Grosso do Sul em 2006, segundo inquérito autorizado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). O relato aponta que, com a desistência de Zeca do PT, os valores teriam sido repassados ao ex-senador Delcídio do Amaral, que foi o candidato do partido ao governo estadual.

O parlamentar negou recebimento e apontou que há um “erro enorme” na delação, já que à época ele não poderia e não disputou eleição naquele ano: “Fui eleito governador em 1998 e reeleito em 2002. Portanto em 2006 estava impedido de ser candidato a governador e não disputei nenhum cargo naquela eleição. Apoiei o nosso candidato, mas não tive nenhuma outra responsabilidade, seja de captação, seja de prestação de contas junto a Justiça Eleitoral. Esperando ter esclarecido a opinião pública, peço reparação da injustiça cometida nesta denúncia”, diz.

Fachin autorizou as investigações a partir do pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A PGR fez o pedido com base nas delações dos ex-executivos da Odebrecht.

Na delação, os ex-executivos dizem que os R$ 400 mil foram pagos em favor de “agentes públicos”, sendo que Zeca do PT teria indicado um arrecadador da campanha. De acordo com o ofício que autoriza a abertura de investigação, os delatores “esmiuçaram” reuniões entre Delcídio e representantes da empresa. No sistema de propinas da Odebrecht, Zeca era identificado como “Pescador”.

Eles citam que a empresa também tinha créditos pendentes a receber por obras em MS, e destacavam que havia interesse da empresa na atuação dos agentes públicos para acelerar os trabalhos de Comissão Especial para acelerar os trabalhos do grupo que tentava angariar os repasses da União para o pagamento da dívida com a empresa.