Diretor-geral da PF diz que foi mal interpretado por declarações e que não interferiu em inquérito, relata Barroso

Ministro recebeu Fernando Segovia em seu gabinete nesta segunda. Diretor-geral da PF foi intimado a dar explicações sobre entrevista na qual disse não ver indícios contra Michel Temer.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatou em despacho publicado nesta segunda-feira (19) que o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, negou ter interferido no inquérito que investiga o presidente Michel Temer e que foi mal interpretado por recentes declarações à imprensa.
Em entrevista à Reuters, publicada em 9 de fevereiro, Segovia afirmou que não há provas contra Temer no inquérito que apura o suposto pagamento de propina na edição, pelo presidente, de um decreto sobre o setor de portos.
Segundo a agência, Segovia, então, indicou que a PF pedirá o arquivamento das investigações.
As declarações do diretor-geral da PF causaram intensa repercussão em Brasília, a ponto de – um dia depois de a entrevista ser publicada – Barroso, relator do inquérito, intimar Segovia a dar explicações.
Os dois se reuniram no Supremo na tarde desta segunda para tratar do assunto. Segovia chegou à Corte pelo elevador privativo e não deu declarações à imprensa.
No despacho, Barroso afirma que o diretor-geral da PF entregou ofício no qual prestou esclarecimentos sobre as declarações. Além disso, o ministro resumiu o que teria ouvido de Segovia no encontro.
“Pessoalmente, o senhor diretor-geral afirmou-me o que brevemente resumo:
a) Que suas declarações foram distorcidas e mal interpretadas;
b) Que em momento algum pretendeu interferir no andamento do inquérito, antecipar conclusões ou induzir o arquivamento;
c) Que não teve a intenção de ameaçar com sanções o delegado encarregado, tendo também aqui sido mal interpretado;
d) Que se compromete a não fazer qualquer manifestação a respeito dos fatos objeto da apuração”, diz Barroso no documento.

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