Ele perdeu a esposa, mas o saxofone e as ruas aproximam os dois

Conhecido como Paulo Ratinho, Paulo Damião do Nascimento, saxofonista de 57 anos, nasceu em Corumbá e encontrou nas ruas maneira de se sentir mais próximo da esposa que faleceu vítima de câncer de pulmão, em 2014. Tocando repertório que sempre a agradou em vida, hoje, ele revive as lembranças boas com a mulher, junto ao instrumento musical e uma caixa de som nos canteiros da cidade.

Para divulgar o trabalho, Paulo, que é militar aposentado, transformou as ruas em cartão de visita. Na Avenida Afonso Pena, esquina com a Rua José Antônio, área central de Campo Grande, a equipe de reportagem encontrou o artista tocando o instrumento no final da tarde.

O objetivo de tocar na rua não é de ganhar dinheiro, de forma direta, mas acaba acontecendo, conforme o músico. “As pessoas passam por mim, pedem meu cartão e acabam me ligando para tocar nos eventos. Além disso, também tem pessoas que passam e deixam dinheiro”, conta Paulo ao acrescentar que, em um dia já chegou a ganhar R$ 128.

O saxofonista conta que já participou de situações inusitadas por estar bem próximo das pessoas. “Um belo dia eu estava tocando uma música chamada Cadeira de Rodas, quando o motorista de um carro veio e me pediu que fosse até o carro dele tocar para uma pessoa que estava lá, e fui, cheguei lá era uma menina cadeirante. Então eu toquei a música para ela”.

Paulo relata que já participou de programas de TV como Domingão do Faustão, no quadro “Se Vira dos 30” e Márcio Garcia. Com três CD´s lançados e mais um em processo de gravação, o músico se divide entre as ruas de Campo Grande, interior do Estado e São Paulo.

“Sempre que posso pego carona com os amigos que viajam para o interior, e nessas cidades toco meu instrumento na rua”, comenta o admirador do saxofone. “Tenho um sax chinês, um nacional e dois alemães”, diz orgulhoso.

HISTÓRIA

Aos 11 anos, ainda em Corumbá, Paulo entrou para a Escola de Música da Marinha, onde aprendeu a tocar saxofone. Aos 19 anos se casou e, em 2014, mesmo ano em que perdeu a esposa, foi transferido para Osasco, interior de São Paulo, para trabalhar no 4º Batalhão de Infantaria Leve do Exército Brasileiro. Na ocasião, teve que parar o curso de Música que fazia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). No ano passado voltou a morar em Campo Grande, onde se aposentou.

Pai de quatro filhos, os olhos ficam marejados em lembrar da mulher com quem dividiu 36 anos da vida. Em 2015, adotou a frente da Praça Ari Coelho para tocar o saxofone, mas foi retirado pela Guarda Municipal. “Disseram que eu tinha que pegar uma autorização da prefeitura, então eu peguei, e depois de três meses ela venceu. Como não consegui renovar, fui tocar em outros lugares”.

Hoje, Paulo Ratinho complementa a renda de aposentado com o que mais gosta de fazer: tocar na rua.

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