Morador da fronteira ignora violência local, mas fuzil em favela assusta

No dia seguinte à decisão do presidente Michel Temer de decretar intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro, moradores da fronteira do Brasil com o Paraguai, especialmente de Ponta Porã, comemoraram a iminente presença de tropas do Exército nas favelas cariocas.

A imagem de traficantes com fuzis nas costas andando entre os barracos nos morros impressiona, mesmo a 1.600 km de distância, ao ponto de muitos defenderem o direito do Exército atirar para matar qualquer um com arma em punho.

Como se a fronteira também não vivesse a sua guerra particular, em que facções criminosas desafiam os governos brasileiro e paraguaio em uma disputa sangrenta pelo controle do tráfico de drogas e de armas e muitos andam com fuzis no banco do carro.

Clientes e vizinhos – Só que a guerra entre os traficantes e contrabandistas, por mais próxima que esteja, é ignorada pela população local. Semelhante ao que fazem os moradores dos morros cariocas. Lá nos morros os traficantes nasceram na comunidade que atualmente dominam. Aqui na fronteira, os bandidos são vizinhos, parentes distantes, clientes da padaria, do mercado e da oficina.

Nas ruas de cidades que já frequentaram o ranking de mais violentas do país, pessoas ouvidas pelo Campo Grande News apontam paz e tranquilidade para viver nesses locais e acham que só morre quem se mete com o submundo do crime.

Na segunda-feira, a reportagem esteve em Amambai, Coronel Sapucaia e Sete Quedas, cidades que ficam bem ao lado da fronteira mais insegura do país e de onde governos brasileiros e paraguaio se mantêm distantes.

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