Polêmicas e versões distintas expõem ruído entre grupo e direção do Inter

A sintonia entre grupo de jogadores e direção do Inter já não é tão fina assim. Ainda que Alex – escudado por Danilo Fernandes, Ceará, Paulão, Ernando e Rodrigo Dourado – tenha esclarecido que não foi obrigado a realizar a manifestação da última quinta-feira – que culminou com novos desdobres até a fala de sexta –, ficou evidente o ruído entre as partes.

O ápice foi o episódio de quinta. O grupo todo se dirigiu até a sala de imprensa do Beira-Rio e afirmou que a consternação pela tragédia com o voo da Chapecoense os deixava sem forças para disputar a última rodada do Brasileirão diante do Fluminense. Só que, ao contrário do que afirmou o diretor de futebol Ibsen Pinheiro, a cúpula já tinha ciência da postura dos comandados de Lisca.

Os atletas, aliás, acabaram pegos de surpresa pela declaração de Vitorio Piffero. O presidente, tão logo o grupo saiu, adentrou ao recinto. E, apesar de apoiar a decisão dos colorados, declarou que não “abria mão de nada” e que o Brasileirão ficaria “incompleto” sem a disputa derradeira.

Declaração jogadores do Inter (Foto: Tomás Hammes/GloboEsporte.com)Em círculo, lideranças coloradas conversam antes de comunicado (Foto: Tomás Hammes/GloboEsporte.com)

A postura do mandatário surpreendeu e incomodou o vestiário, conforme apurou o GloboEsporte.com. Os jogadores se sentiram usados em razão da situação do clube, que ingressou com uma ação para que o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) analisasse uma suposta inscrição irregular de Victor Ramos, do Vitória, e resolveram fazer nova manifestação na tarde de sexta, antes do treino, na qual confirmaram que aceitam o rebaixamento mesmo que não entrem em campo no último jogo.

– Se for o caso de acabar o campeonato e formos rebaixados, aceitaremos porque fizemos por merecer. Não queremos cancelar o campeonato nem melar o último jogo, tanto que falei em respeito a todos os envolvidos (na tragédia) – Chapecoense, jornalistas, famílias. Se tiver, jogaremos, mas nada se compara ao sentimento. Disseram que viemos porque a diretoria nos pediu, obrigou. Isso não existe. Expusemos aquilo que temos sentido. No momento que existiu a dúvida se o Inter se permitia ser rebaixado, nunca nos omitimos por esse campeonato horrível que fizemos – esclareceu Alex.

No momento que existiu a dúvida se o Inter se permitia ser rebaixado, nunca nos omitimos por esse campeonato horrível que fizemos.
Alex, meia do Inter

Lisca, que evitou entrar no atrito entre as partes, também já sabia da postura dos pupilos. Antes da primeira manifestação, foi informado sobre a tristeza que tinha acometido o vestiário. Pediu aos atletas para tentar esquecer a tragédia e reunir forças para lutar contra o rebaixamento, mas entendeu a dor e ficou ao lado deles. Tanto que, na declaração de quinta, estava com todos os colorados.

– A maioria dos jogadores falou a vocês (jornalistas) que não estão em condições. Eu respeito. São homens, pais de família. Preciso agir. Tenho que preparar o Inter caso tenha a rodada. É o meu papel. Fui contratado para isso. Estou em um momento muito positivo da minha carreira. Preciso ter muita atenção. Tenho que valorizar minha oportunidade – limitou-se a dizer Lisca.

Reação da direção e do STJD

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Ibsen Pinheiro negou que a primeira manifestação dos colorados e a de Piffero fossem uma estratégia para o Colorado tirar proveito do acidente que deixou 71 vítimas fatais e seis feridas.

– Primeiro, não foi o Inter. Foram os atletas que, por mais relevantes que sejam, não falam pelo clube, falam por si. E, segundo, não foi pedido de cancelamento, porque o cancelamento produz efeitos que ninguém pode imaginar quais sejam. O que os atletas disseram é que não se sentem em condições de entrar em campo – reforçou o dirigente.

Ibsen Pinheiro diretor de futebol Inter (Foto: Tomás Hammes / GloboEsporte.com)
Ibsen Pinheiro, diretor de futebol, afirma que não foi pedido cancelamento (Foto: Tomás Hammes / GloboEsporte.com)

As  reiteradas declarações da diretoria colorada também causaram desaprovação de quem toca o assunto nos bastidores. Houve um pedido para evitar novos pronunciamentos que possam complicar ainda mais a situação do clube.

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