Data de Hoje - 21/Março/2019

Presidente eleito do Paraguai diz que vai sair a construção da ponte na fronteira

Declaração foi feita durante solenidade de posse do novo diretor-geral brasileiro de Itaipu, Joaquim Silva e Luna. A binacional será a responsável pela construção das duas ligações.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, confirmou, o compromisso do País com a construção de duas pontes entre Brasil e Paraguai. A declaração foi feita durante a solenidade de posse do novo diretor-geral brasileiro de Itaipu, general Joaquim Silva e Luna, no Edifício de Produção da usina hidrelétrica, em Foz do Iguaçu (PR). A cerimônia contou com a presença do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, entre outras autoridades dos dois países.

“A segunda ponte sobre o Rio Paraná e a sobre o Rio Paraguai são de fundamental importância para os nossos povos. Contem com o apoio de nosso governo para concretizar este objetivo”, anunciou Bolsonaro, ao lado do novo diretor-geral brasileiro. Foi a primeira vez que o novo governo brasileiro endossou publicamente as tratativas iniciadas no ano passado para a construção das duas pontes.

Bolsonaro e o presidente paraguaio se encontrarão novamente no dia 12 de março, em Brasília. “Vamos tratar de temas relevantes, nas questões políticas, econômicas, comerciais e de cooperação”, afirmou Benítez. “Seguramente vamos avançar em nosso projeto de integração física com a construção de duas pontes”, concluiu o presidente paraguaio.

A assinatura da declaração presidencial que autorizava a construção das duas pontes foi feita em dezembro do ano passado, também na usina de Itaipu, pelo então presidente brasileiro, Michel Temer, e pelo presidente paraguaio, Mario Benítez. As pontes serão construídas sobre o Rio Paraná, ligando Foz do Iguaçu (PR) e Presidente Franco (PY), e sobre o Rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta (PY). O financiamento será feito pela Itaipu Binacional, com autorização da Advocacia-Geral da União (AGU).

Integração regional

A cerimônia de posse do novo diretor-geral brasileiro foi o momento para os dois países sócios da Itaipu Binacional, Brasil e Paraguai, reafirmarem também o compromisso da empresa com a integração regional. Antes do início da solenidade, os presidentes brasileiro e paraguaio se reuniram em um encontro bilateral. Além do tema das pontes, eles trataram de outras questões como o combate conjunto ao crime organizado na fronteira e a relação comercial.

Em seu discurso, Jair Bolsonaro lembrou a história da construção da usina hidrelétrica e a importância da empresa para o desenvolvimento regional. “Designei para comandar Itaipu um contemporâneo da Academia Militar das Agulhas Negras”, afirmou o presidente sobre o novo diretor-geral brasileiro. “Desejo a você os mais sinceros votos de sucesso nesta nova missão, para que possamos trazer ainda mais prosperidade para o povo brasileiro e nosso querido povo paraguaio.”

Mario Benítez corroborou sobre a responsabilidade que o general Joaquim Silva e Luna terá ao lado do diretor-geral paraguaio, Jose Alberto Alderete, em administrar a binacional. “Tem o grande desafio de conduzir o maior empreendimento de produção de energia elétrica do mundo”, disse. “A Itaipu Binacional é orgulho de brasileiros e paraguaios e se transformou em um pilar de desenvolvimento para Brasil e Paraguai.”

Termo de posse

A assinatura do termo de posse foi feita pelos ministros Bento Albuquerque (Minas e Energia) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e pelo diretor-geral brasileiro, general Joaquim Silva e Luna.

O general é o 13º diretor-geral brasileiro da empresa. “Embora tudo esteja em permanente evolução, sabemos que a missão não é construir uma nova obra, mas prosseguir aperfeiçoando o trabalho dos que nos antecederam, de modo a deixar para as novas gerações uma plataforma melhor, que sirva de base para novos avanços”, afirmou.

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União fortalecida: autorização de construção das novas pontes foi feita em dezembro do ano passado

Em dezembro de 2018, os governos do Brasil e do Paraguai anunciaram, em um encontro na Itaipu Binacional, a construção de duas novas pontes ligando os dois países, com o objetivo de fortalecer o processo de integração regional e melhorar a infraestrutura para o comércio e o turismo. Uma das pontes será sobre o Rio Paraná, entre Foz do Iguaçu (PR) e Presidente Franco, cidade vizinha a Ciudad del Este. A outra obra será no Rio Paraguai, entre Porto Murtinho (MS) e o município paraguaio Carmelo Peralta.

A ponte que vai ligar Foz a Presidente Franco já foi licitada e a obra contratada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), em 2014. O projeto, no entanto, não teve continuidade e agora será retomado com recursos de Itaipu. A obra tem custo previsto de R$ 302,5 milhões (considerando estrutura e desapropriações), além de R$ 104 milhões para a construção de uma perimetral no lado brasileiro.

A ponte será do tipo estaiada, com duas torres de sustentação de 120 metros de altura. O projeto prevê pista simples, com acostamento e calçada. A extensão é de 760 metros, com vão livre de 470 metros. A estimativa é que as obras sejam concluídas em até três anos.

Já a perimetral terá 15 quilômetros e vai ligar a BR-277 à aduana da Argentina e à nova ponte. O valor de R$ 104 milhões contempla os custos do projeto, desapropriações, construção de quatro viadutos e duas aduanas (uma na cabeceira da nova ponte e outra na fronteira com a Argentina). A obra já foi licitada pelo Dnit, mas o resultado ainda não foi homologado.

Com a nova ligação Foz-Presidente Franco, a Ponte Internacional da Amizade, hoje saturada, será exclusiva para veículos leves e ônibus de turismo. Essa ponte é hoje o principal corredor econômico entre o Brasil e o Paraguai e ajudou a transformar o município paraguaio na terceira maior zona franca do mundo.

O acordo entre os dois países define que a margem paraguaia de Itaipu vai arcar com os custos de construção da ponte no Mato Grosso do Sul e a margem brasileira entrará com recursos para a ponte em Foz do Iguaçu. A expectativa é que a ponte no Rio Paraguai tenha as mesmas características e os mesmos custos das obras que serão realizadas no Rio Paraná.

CORRELATA

Joaquim Silva e Luna promete mudanças, mas sem perder o foco na geração de energia e o respeito à binacionalidade

Ao assumir o cargo de diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional nesta manhã de terça-feira (26), em Foz do Iguaçu, o general Joaquim Silva e Luna dirigiu-se a autoridades, funcionários e profissionais de imprensa destacando a necessidade de mudanças na gestão da empresa, com mais foco na geração de energia, mas sem perder de vista o bom relacionamento entre brasileiros e paraguaios e a promoção do bem comum em ambos os países.

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