Senado prevê gastar quase R$ 3 milhões para ‘modernizar’ sistema de som do plenário

O Senado pretende gastar R$ 2,84 milhões para “modernizar” o sistema de áudio do plenário principal da Casa. A informação consta de um processo licitatório cuja abertura do pregão eletrônico está agendada para 16 de maio.

A justificativa apresentada no edital da licitação – publicado no portal do Senado – é que o sistema de som atual já está com cerca de 20 anos de uso, “estando há muito tempo fora de garantia, e utilizando tecnologias completamente ultrapassadas”.

Além disso, a Casa alega que o sistema apresenta “recorrentes falhas”. “Algumas delas com o potencial de inviabilizar o andamento das sessões”, diz o documento.

Ao G1, a assessoria do Senado informou que as falhas mais frequentes são:

  • Microfone que não responde a comando;
  • Microfone inoperante, mas sinalizando normalidade ao sistema;
  • Travamento de sistema após ação do presidente da sessão de cortar temporariamente a captação dos microfones;
  • Microfone com haste danificada.

Valor que o Senado estima gastar com a 'modernização' do sistema de som da Casa (Foto: Reprodução/site do Senado)Valor que o Senado estima gastar com a 'modernização' do sistema de som da Casa (Foto: Reprodução/site do Senado)

Valor que o Senado estima gastar com a ‘modernização’ do sistema de som da Casa (Foto: Reprodução/site do Senado)

“O sistema principal trava constantemente, sendo necessário o acionamento de sistema de emergência, desenvolvido pelo corpo técnico do Senado. O sistema de emergência funciona de forma limitada, operando com apenas quatro microfones”, afirmou em nota a assessoria do Senado.

O edital também prevê que a empresa vencedora da licitação, além de fornecer os equipamentos, deverá prestar serviços de instalação, treinamento de técnicos, suporte e manutenção.

O critério para escolha da vencedora da licitação será o de menor preço global.

Queixas

O sistema de som do plenário já foi alvo de críticas de alguns senadores, entre os quais o presidente da Casa, Eunício Oliveira (MDB-CE).

Na sessão do dia 20 de fevereiro deste ano, data em que o Senado aprovou a intervenção federalna segurança pública do Rio de Janeiro, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) pediu a Eunício que fosse elevado o som do microfone da tribuna.

“Já está no máximo. Eu vou pedir um pouco de silêncio às assessorias para poder ouvir a senadora Gleisi”, respondeu Eunício.

“O seu [microfone] está melhor. Acho que eu vou sentar aí”, disse Gleisi a Eunício.

“É porque eu estou falando da boca aqui – bem na boca”, justificou o presidente do Senado.

Apesar das queixas, a sessão continuou normalmente naquele dia e o decreto presidencial foi votado pelos parlamentares.

Em outra sessão, em novembro de 2017, Eunício também reclamou do sistema.

“Eu vou ver se, no final do ano, a gente faz uma cota para comprar um som aqui para este Senado, porque eu não estou entendendo. Todo dia [é] a mesma coisa”, criticou.

Na ocasião, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou que o barulho no plenário estava “concorrendo” com o microfone de Eunício.

Também nesse dia, a sessão teve continuidade e os senadores derrubaram um projeto que fixava em 12% alíquota máxima de ICMS para o combustível de aviação.

Segundo a assessoria do Senado, depois desse episódio, foram gastos R$ 6,8 mil na aquisição de caixas de som e dois microfones para reforço do sistema de áudio.

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