China reconhece eficácia da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid19 e passa a recomendar o medicamento

A Comissão Nacional de Saúde da China atualizou, pela primeira vez, suas diretrizes para o tratamento de pacientes com covid19 e passou a recomendar o uso da cloroquina. Entretanto, o uso da hidroxicloroquina (um derivado menos tóxico da cloroquina), bem como o uso da droga em associação à azitromicina foi desaconselhada. As novas recomendações foram publicadas nesta quarta-feira (19) pelas autoridades chinesas.

A cloroquina é conhecida e usada com segurança há décadas no Brasil para evitar e tratar a malária. Seu uso no combate à covid19 é defendido por médicos como o microbiologista francês Didier Raoult, o médico norteamericano Vladmir Zelenko, e pela imunologista brasileira Nise Yamaguchi.

“Alguns medicamentos podem demonstrar um certo grau de eficácia para o tratamento em estudos de observação clínica, mas não existem medicamentos antivirais eficazes confirmados por ensaios clínicos duplo-cegos controlados por placebo”, afirmou a Comissão Nacional de Saúde da China.

A lista de medicamentos antivirais recomendados inclui o interferon, o arbidol e a ribavirina, com a ressalva de que esta última deve ser usada junto com lopinavir ou ritonavir, conforme noticiado pelo South China Morning Post.

A equipe do cientista respiratório chinês, Zhong Nanshan, um dos maiores defensores do medicamento na China, publicou um artigo revisado por pares na National Science Review em maio, afirmando que em um estudo com 197 pacientes, o medicamento contra a malária demonstrou benefícios no tratamento de pacientes com covid19.

A defesa chinesa do uso do medicamento tende a alterar a recomendação da própria Organização Mundial de Saúde, que até então reluta em reconhecer qualquer nível de benefício no uso da cloroquina.

A China não é o primeiro país cujo órgão oficial de saúde recomenda a cloroquina. No Brasil, o Ministério da Saúde incluiu a cloroquina, e seu derivado hidroxicloroquina, no protocolo de tratamento para pacientes com sintomas leves de covid-19.

De acordo com o documento divulgado pela pasta no dia 20 de março, cabe ao médico a decisão sobre prescrever ou não a substância, sendo necessária também a vontade declarada do paciente, com a assinatura do Termo de Ciência e Consentimento.

O presidente Jair Bolsonaro comemorou a notícia. “A nossa cloroquina chegou na China. Vamos ver o que a grande mídia vai falar sobre isso aqui”, disse Bolsonaro em sua live semanal.