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O Pantanal está próximo de enfrentar a sua pior seca em mais de um século, indicou pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM).

Com essa constatação, agora há uma análise que ainda será feita é com relação aos impactos econômicos e sociais que essa estiagem vai gerar para Mato Grosso do Sul.

A identificação da situação de seca severa foi repassada na 5ª reunião da Sala de Crise do Pantanal, onde há integrantes do Serviço Geológico do Brasil, Agência nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Grupo de Previsão de Tempo no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).

O encontro ocorreu na tarde desta quarta-feira (6) e os dados serão repassados a autoridades locais nesta quinta-feira (7).

Conforme prognóstico desenvolvido pelo hidrólogo e pesquisador de Geociências do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), Marcus Suassuna Santos, o Pantanal deve romper a marca de -61 centímetros de medição do nível na régua de Ladário.

Esse número foi alcançado em 1964, quando houve início a maior seca que até então o Pantanal havia enfrentado.

A estiagem durou até cerca de 1972. Nesse período, em Corumbá, havia até uma estrada no Porto Geral que era possível transitar de um lado para outro da margem do rio.

A régua em Ladário, neste dia 7, indicou que o nível está em -52 centímetros, menor medição feita na comparação com 2020.

Marcus Suassuna Santos explicou que o monitoramento e os prognósticos do sistema de alerta hidrológico são feitos durante todo o ano, por meio de boletins semanais.

“2021 é um dos anos mais críticos em relação à seca, apresentando os menores índices em 121 anos. Neste momento, essa é a quinta pior seca da história da região. Pela tendência atual, é possível que o rio alcance níveis históricos como aqueles de 1964, quando o rio atingiu a cota de -61 cm”, explicou o especialista.

A Embrapa Pantanal tem estudo que analisou vários materiais e pesquisas para indicar que a pior seca até então registrada no bioma desde o século passado teve duração de 1962 a 1973. Nesse período, a situação mais crítica, conforme o Serviço Geológico do Brasil, ocorreu em 1964.

Pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Ecologia da Intervenção da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Letícia Couto Garcia detalhou que a forte estiagem registrada no Pantanal desde 2020 já causou danos que não eram observados há 20 anos.

Ela desenvolve pesquisa sobre o uso do Pantanal de forma sustentável e indicou que o bioma está adaptado às queimadas, para o período extremamente seco atual gerou fogo em áreas que não queimavam há duas décadas.

“Cerca de 43% de onde queimou em 2020 não queimava há 20 anos”, identificou a pesquisadora. Com essa constatação, vegetação que tinha sido recuperada acabou atingida severamente pelo fogo.

Previsão para chuva

A meteorologista do Grupo de Previsão de Tempo no Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Caroline Vidal também participou da reunião e apresentou mapas de anomalia de precipitação de chuva no Brasil.

Neste semestre, entre os meses de julho e setembro, as chuvas estão abaixo da média e o período é um dos mais secos desde 2010.

“Onde há chuvas abaixo da média, há temperaturas acima do padrão. A tendência é que as chuvas concentradas no norte do país migrem para o centro-oeste e sudeste”, explicou.

Estudos sugerem que no Pantanal, a temperatura média aumentou cerca de 2º C neste ano. Com isso, os termômetros ultrapassaram a marca dos 40º C por vários dias.

Esse calor excessivo contribuiu para uma evaporação maior do rio Paraguai, permitindo que o nível fosse reduzido ainda mais.

No final de setembro, o meteorologista Natálio Abrahão indicou avaliação que com a temperatura acima dos 40º C permitiu que a bacia perdesse 1,4 litro de água por metro quadrado a cada 10 horas.

O pesquisador meteorologista do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), Giovanni Dolif, reconheceu que a situação meteorológica na região do Pantanal neste mês registrou o menor déficit de chuva do que no mesmo período de 2020, de acordo com o Índice Integrado de Seca (IIS).

Ele alertou, ainda, para uma expectativa de chuvas acima do esperado na região, com transição para estação chuvosa dentro da normalidade. Isso só deve ocorrer em 2022.

Os Sistemas de Alerta Hidrológico implantados e operados pela CPRM tem o apoio da Agência Nacional de Água (ANA), por meio de aporte de recurso para operação das estações que compõem os Sistemas, as quais fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional.

A reunião foi conduzida pelo gerente na Coordenação de Evento Hidrológico Crítico da ANA.

Vinícius Roman.