Rio Miranda alaga fazendas e força retirada de gado no Pantanal

Proprietários de fazendas localizadas entre os rios Miranda e Abobral, no Pantanal de Corumbá, estão sendo surpreendidos desde o último fim semana com o rápido aumento do nível das águas e agora correm contra o tempo para retirar o gado das áreas alagadas.

Na Fazenda São Bento, que fica às margens da estrada parque, próximo ao Passo do Lontra, cerca de cinco mil bovinos estão sendo retirados desde quarta-feira. Cerca de dez carretas e caminhões estão empenhados no transporte, mas até a noite desta sexta-feira (30), apenas 10% do rebanho havia sido transferido.

Composto principalmente por vacas parideiras e bezerros, o rebanho está sendo levado para uma fazenda a cerca de 40 quilômetros de distância, numa região mais elevada nas imediações da escola da Fundação Bradesco, próximo da cidade de Miranda.

E como a água continua subindo rapidamente, a transferência é uma corrida contra o tempo. Nesta quinta-feira, por exemplo, o transporte do gado entrou noite a dentro. Por volta das oito da noite os trabalhadores dos caminhões ainda estavam na lida.

Pedindo para não serem identificados, os trabalhadores nem mesmo reclamavam das seguidas horas de trabalho e da jornada extra mesmo depois do pôr do Sol. “Melhor isso aqui do que a poeira e as cinzas que vimos nos últimos anos. Isso aqui sim é Pantanal”, relatou um deles em meio aos migidos das vacas e bezerros que o tempo inteiro “atrapalhavam” a ligação por watsapp

Vídeos enviados ao Correio do Estado também evidenciam que a retirada do gado é motivo de comemoração para quem não está diretamente envolvido no trabalho e, principalmente, para turistas  que trafegam pela estrada parque ou por outras vias da região.

Até esta sexta-feira, o gado estava sendo retirado principalmente das fazendas São Bento e Rio Vermelho. Mas como a água continuava subindo, a previsão é de que alague outras propriedades e force a retirada do gado.

A área sob inundação está entre os Rios Miranda e Abobral, cerca de 25 quilômetros iniciais da estrada parque, que começa logo depois do chamado Buraco das Piranhas (um trevo na BR-262), entre as cidades de Miranda e Corumbá.

Ao longo deste trecho a água tomou conta das duas margens da estrada. E era exatamente este o cenário que turistas esperavam ao agendarem passeios no Pantanal de Mato Grosso do Sul. E apesar de a água ter invadido a região e da passagem constante de caminhões retirando gado, o tráfego na estrada parque segue normal, segundo Rogério Iehle, administrador de um pesqueiro e um hotel no Passo do Lontra, às margens do Rio Miranda.

A estrada parque tem ao todo quase 120 quilômetros e mais de 70 pontes de madeira instaladas para dar vazão à água que se espalha pela planície. E, apesar das fortes chuvas deste ano, a previsão é de que somente o trecho inicial dela seja tomado pelos alagamentos, por conta da cheia do Rio Mirante, que recebe a água das regiões de Jardim, Bonito e Bodoquena, além de toda a água do Rio Aquidauana.

Cheia parcial

De acordo com o comerciante Quequé, proprietário de um tradicional bar na Curva do Leque (às margens da estrada parque) para que o Pantanal inteiro ficasse alagado novamente, depois de cinco anos, seria necessário que o Rio Paraguai transbordasse, o que não tende a acontecer, segundo ele.

Nesta sexta-feira (31), ele estava em 2,45 metros na régua de Ladário, conforme medição oficial da Marinha. Na última cheia, em 2018, o nível do Rio Paraguai já estava em 4,34 metros no último dia de março. O pico, em 2018, chegou a 5,35 metros, em meados de junho.

Mas, embora esteja 1,89 metro abaixo do nível de 31 de março de 2018, agora faltam apenas 19 centímetros para alcançar o pico do ano passado, que foi de 2,64 metros. Este nível deve ser superado já em meados de abril.

E, se continuar subindo no ritmo atual, de quase dois centímetros por dia, a perspectiva é de que não alcance os quatro metros em Ladário. Somente depois desse nível é que começa a se espalhar significativamente pelo Pantanal.

Normalmente o rio sobe até os primeiros dias de julho e depois disso começa a baixar. Em 2020 e 2021, o pico foi de apenas 2,10 e 1,88 metros, respectivamente. E pelo fato de o rio não ter enchido,  o transporte de minério teve de ser suspenso e milhares de carretas começaram transitar pelas rodovias do Estado para despachar a produção das mineradoras de Corumbá.

Hildebrando Procópio

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