Com o dia de finados se aproximando, as barracas de flores já começaram a colorir as calçadas dos cemitérios municipais de Campo Grande desde a última sexta-feira (31). Além dos moradores que visitam o local e prestam homenagens, o feriado que ocorre neste domingo (2) também é importante para os comerciantes, que oferecem produtos e movimentam a economia.
De flores naturais à produtos artificiais produzidos manualmente, o que não faltam nos arranjos são opções de modelos, cores e tamanhos. Os produtos oferecidos cabem em todos os bolsos, com confecções que exigem cuidados e preparo prévio dos vendedores.
Jucimeire Santos, empreendedora, vende vasos de flores artificiais próximo ao cemitério Santo Amaro há mais de 40 anos. A mulher, que combina os arranjos e os vasos um a um, começa a produzi-los pelo menos 30 dias antes da data e os vende por valores entre R$4,50 e R$35. “Só desses aqui, fiz uns 400. Os maiores que faço um pouco menos porque a situação está difícil. É um preço bom”, comenta.

Assim como Jucimeire, Cristalvo Ramão é comerciante há 32 anos e também oferece arranjos artificiais que variam entre R$5 à R$50, com materiais como tecido e EVA no cemitério Santo Antônio. Ramão explica que opta pelas flores artificiais devido, principalmente, a durabilidade do produto.
“Esse material é o EVA, ele é emborrachado e dura mais. Tem material desde o ano passado aqui no cemitério, é perfeito ainda. Os vasos nós trocamos para gesso porque não acumula água, então evita o mosquito da dengue. Antigamente a gente trabalhava com cimento”, descreve.

Tradição em família
E se assim como as flores, os vendedores também perduram no ramo há anos, existem caso que o empreendedorismo em dia de finados cerca toda a família. Maria Roberta também é comerciante no ramo há 25 anos, vende os arranjos próximo às barracas de familiares e comenta que tem até parente que nasceu naquele cemitério. O preço de seus produtos também variam entre R$5 e R$50 no Cemitério do Cruzeiro.
“É banca separada, mas tudo família. Cada um tem a sua. A gente vai para São Paulo buscar junto, uma ajuda a outra, aí para vender, cada uma vende a sua. Teve uma até que nasceu aqui no cemitério, nasceu aqui no dia [de finados]. Estava aqui, passou mal e foi para a maternidade. Bem dizer, nasceu aqui e hoje está aqui vendendo”, destaca.

‘Gosto mais da natural’
Por mais que as flores artificiais dominem os cemitérios, ainda existem comerciantes que priorizam a venda de plantas naturais. Entre as opções, margaridas e crisântemos se destacam como as favoritas.
Edinara Lopes trabalha no ramo de plantas, monta sua barraca no cemitério Santo Amaro há 5 anos e, durante todo este tempo, nunca teve prejuízos quanto ao material que ofereceu. Suas plantas variam entre R$10 e R$50. “Comecei ontem, está funcionando bem. Eu já trabalho com plantas e gosto mais da natural”.
Assim como Edinara, Wanda da Silva também não abre mão das flores de verdade e já as vende há 25 anos com os filhos em três cemitérios da capital. Com valores entre R$20 e R$45, e, só este ano, pegou mais de 600 arranjos para venda, mas por enquanto, relata que o movimento ainda está fraco.
“Esse ano está um pouco devagar, não sei se é porque caiu no final de semana, mas os visitantes estão sendo poucos. Geralmente as visitas são boas na véspera, tem muitos visitantes”, destaca.






